Resíduo têxtil e seus impactos ambientais e sociais

O mundo já passou dos 7,8 bilhões de habitantes, segundo dados do Instituto de Censos norte-americano. E fica uma pergunta: Quantos bilhões de peças de roupas são utilizados anualmente no planeta? Talvez seja algo inimaginável.


Só no Brasil, com uma população de cerca de 220 milhões de pessoas, a estimativa é de 42 peças anuais por cidadão, de acordo com dados do Instituto Modefica e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).


A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) estimou, em 2017, um desperdício de cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis no Brasil. Um pequeno detalhe: este número é referente somente às sobras de corte de roupas. No entanto, o Modefica diz que 1 caminhão de lixo têxtil é queimado ou jogado (por segundo) em aterros no planeta, ou seja, mais 86 mil caminhões por dia.


Estes dados mostram que, assim como o descarte incorreto do resíduo eletrônico é gigantesco no mundo inteiro, o de resíduo têxtil também é assustador.


Neste artigo, vamos falar sobre desperdício e descarte incorreto por todas as camadas da sociedade:


  • da fabricação à deterioração do resíduo têxtil;

  • mão de obra barata para a produção;

  • descarte incorreto em países pobres ao redor do mundo.


O ciclo da moda faz com que as pessoas consumam mais rapidamente as roupas de acordo com a moda, independente do tipo de matéria-prima utilizada. Ao fim de uma estação, a maioria das lojas colocam os produtos em promoção para “alimentarem” o estoque com itens da estação que está para chegar.


Esse assunto é bem ligado ao processo...


Da fabricação à deterioração do produto




O algodão é composto de cerca de 94% de celulose e o restante são compostos naturais como açúcares e alguns tipos de proteínas. Dependendo da ação do clima e da composição do tecido mais simples de algodão ao mais complexo, ele demora entre 10 a 20 para se decompor totalmente.


Já os tecidos sintéticos de poliéster (politereftalato de etileno, ou PET) são bastante conhecidos de todos nós. Sim é o PET da garrafa de refrigerante.


Esses produtos (fabricados com a utilização do petróleo) podem levar cerca de 400 anos para se deteriorar na natureza. E vamos lembrar que o petróleo é uma fonte não renovável. Então este é um grande problema ambiental no mundo, simplesmente porque o produto (tecido de poliéster) não é reaproveitado ou reciclado na maioria das vezes.




Para cada produto há vantagens e desvantagens. O algodão deveria ser mais sadio ao planeta no ponto de vista da decomposição, porém o cultivo da planta envolve grande quantidade de agrotóxico que é nocivo para o ser humano e o meio ambiente. O poliéster tem a vantagem de poder ser reciclado, mas, se descartado de maneira indevida, vai poluir muito mais como acontece no Atacama ou em praias de Gana, na África.


E quanto maior a produção de roupas, maior a demanda de trabalho.


A mão de obra barata na cadeia da moda


As grandes marcas da moda terceirizam a mão de obra barata em países como Paquistão, Índia, Bangladesh, países na África e China, pagando mal os trabalhadores uma vez que qualificação profissional não é muito exigida. Um país que tem aparecido mais no mercado têxtil mundial é a Etiópia. Em péssimas condições de trabalho, um operário etíope da indústria têxtil recebia, por mês em 2017, cerca de 27 euros e o almoço diário.




No entanto, é quase impossível os consumidores “reprimirem” o trabalho escravo em muitas fábricas pelo mundo. Como são milhares de indústrias com trabalho terceirizado, cabe aos órgãos fiscalizadores de cada país exercer esse papel e ir atrás até mesmo de pequenas confecções criadas em residências para sustentar as grandes marcas. É questão de conscientização.


Infelizmente a necessidade de sobrevivência faz milhões de pessoas se sujeitaram a estas péssimas condições trabalhistas (praticamente escravidão) em pleno século 21.


Além desse problema, ainda existe...


Descarte incorreto em países pobres ao redor do mundo


Este assunto foi matéria destaque no Fantástico da TV Globo no dia 13 de fevereiro de 2022.


Segundo a reportagem, Gana é um país pobre da África que recebe 15 milhões de restos de tecidos e roupas por semana. O material chega pelo porto marítimo, parte é negociada e outra fica depositada em grandes lixões que vão poluir alguns lugares no país. Muitos catadores tiram dali o seu sustento, mas isso não é suficiente para a limpeza do local.


Os resíduos acabam indo poluir praias, água e passam até “servir de alimentos” para animais no fundo do oceano. Eles confundem alguns resíduos com algas e outros pequenos animais desse resíduo que se torna tóxico.


Este é um problema que pode ter solução, mas toda a cadeia da produção e os consumidores em geral precisam se conscientizar do descarte correto. E a logística reversa ajuda nesse contexto.


Antes de comprar, pense: vai mesmo precisar de uma roupa nova? Se a resposta for sim:

- Doe a roupa usada a pessoas carentes,


- Negocie com um brechó,


- Compartilhe o guarda-roupa com parentes ou amigos,


- Deposite nos contêineres das grandes redes de lojas: é a logística reversa em ação.


A responsabilidade do descarte do resíduo é de toda sociedade. Não há como escaparmos disso! Assim como resíduo eletrônico não deve ir para caçamba de entulho, resíduo têxtil também não.


Na obra de construção ou reforma, tente reutilizar tecidos já rasgados e velhos que não podem ser reaproveitados como vestimenta. Isso é uma forma de diminuir, mesmo que pequena, a quantidade de resíduo têxtil que vai utilizar. Uma toalha, lençol ou camiseta velha vai limpar do mesmo jeito que um pano novo limpa um resto de tinta, argamassa ou cola. Saiba que isso ainda baixa o custo com aquisição de “material de limpeza”.


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